Reflexão

Encontro Filosófico

Beatriz Estellita · Agosto de 2026 · 4 min de leitura

Quando saímos para ver o mundo ao nosso redor, num andar calmo e observador, tal qual um navio em alto mar, uma posição de liderança surge em meio a nossas percepções. Num jardim belo e florido, como o cheiro de um buquê que jaz morto, visto que já lhe arrancaram da terra, nada mais há que se fazer sobre as flores.

Quando Sartre disse uma vez em um de seus livros que o inferno são os outros, não seria impossível deduzir que se o outro é meu inferno, então sou meu próprio? Ora, se eu espelho e projeto como sinto e vejo meu mundo, então estou a arder nas chamas das minhas próprias escolhas.

A percepção única da nossa verdade é tão rara e, ao mesmo tempo, tão difícil de exemplificar para leigos de nossas próprias certezas e convicções, que caem por terra quando, ali, logo em frente, a parede de tijolos tão densos e barrosos se dilui em barro movediço. E se não se mover da maneira certa, o fundo não será o poço, e sim sua própria terra. Mas o que quero dizer com isso?

Depende. O que fez sentido para você?

Sentido — outra palavra que traz percepções tão devastadoras de nós mesmos que muitas vezes não nos damos conta de que o maldito (eu diria, bendito) véu que cai bem diante de nossos olhos expõe uma verdade que dói mais do que cortar o dedo com papel sulfite. A verdade sempre esteve ali, porém a dificuldade em ver está justamente em que ainda não tinha sentido chegar nesse caminho e entender que você precisa aprender algo para poder sair daí, de onde está.

Amadurecer é uma das coisas mais difíceis e dolorosas que alguém pode experimentar, quando se dá ao direito de ao menos tentar ver uma versão sua — mesmo que seja pela fresta da porta que você sabe que sempre esteve ali. Mas, para acessá-la, caro leitor, você vai precisar mergulhar num mar tão profundo de si que vai aprender a nadar novamente. E aí sim vai começar a trazer à tona enigmas e desconfortos tão densos que, para se reorganizar internamente, vai perceber que a leveza de se aceitar é a varinha de condão para a mágica acontecer.

E aí, tem coragem de se deixar mexer?

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